Reino de Kaupelan

UMA BREVE VISÃO HISTÓRICA

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Período Pré-histórico 25.000 a.p.

A presença humana no arquipélago remonta ao período Pleistoceno, como atestam os vestígios encontrados no sítio arqueológico de Gajawatu, ao norte de Purikali. Ali, a partir de escavações do arqueólogo holandês Pieter van der Kooij, realizadas em 1932, foi constatada a presença do Homo Sapiens há 25.000 anos atrás, embora, para muitos pesquisadores, sua chegada ao arquipélago seja bem anterior.

Os primeiros habitantes são populações de cultura paleolítica, que devem ter se deslocado para lá através de rudimentares jangadas de bambu.

 

Período Melanésio 3.000 a.p. – 2000 a.p.

Provavelmente há menos de 3.000 anos, houve novas migrações para o arquipélago, em levas sucessivas, de povos negróides e provavelmente das primeiras populações austronésias. São povos de cultura neolítica, que habitam as florestas, e que vão, ao longo dos séculos, substituindo as populações primitivas. Utilizam lanças, machados de pedra e arco e flecha, e suas tribos vivem em constantes guerras entre si. Em algumas delas os guerreiros são caçadores de cabeça. Acredita-se que os povos suduk, hakereh, atawodo e moinate sejam descendentes desses povos.

 

Período Austronésio 2.000 a.p. – séc. IX

Novas levas humanas vindas das regiões ocidentais do arquipélago indonésio, chegam às ilhas nos primeiros séculos da era cristã. São povos de pele mais clara e menor estatura, porém mais evoluídos que os nativos. A medida que se estabelecem as populações aborígines migram para o interior das grandes ilhas ou se refugiam nas ilhas mais distantes. Há um lento processo de miscigenação com as populações remanescentes e os novos habitantes se fixam sobretudo no litoral.

Acredita-se que essas migrações se deram a partir do norte, povoando primeiramente a ilha de Wisanu e, em seguida, o sul de Kiwangar. Levas posteriores se fixaram a oeste de Wisanu e no norte de Kiwangar.

Destacam-se como bons navegantes. São pescadores, caçadores e vivem da coleta nas florestas. Cultuam deuses da natureza, como o sol, a lua, o mar e o tubarão. Usam tatuagens no corpo e vestimentas de tecido grosseiro. Um sacerdote ( ratu lui) promove rituais de magia para obter cura, exorcismo, alimentos, vitórias em guerras ou homenagear espíritos ancestrais. Fazem oferendas a gênios bons e maus. Nas aldeias há um lugar sagrado, considerado tabu (mali) pelos habitantes locais, onde há um pequeno templo chamado uma lui.

Por volta do século VIII, as populações costeiras começam a ter contato com mercadores hindus e budistas, vindos sobretudo de Java em busca de especiarias e trazendo, em contrapartida, mercadorias indianas e chinesas e uma nova bagagem cultural.

 

Período dos Reinos séc.X – séc. XIV

A influência, predominantemente hindu, vai se tornando maior nos séculos seguintes. Surgem, na ilha de Kiwangar, os primeiros registros escritos, em placas de bronze e folhas de palmeira, grafados num alfabeto originário da Índia. O registro mais antigo, do século X, foi escrito em makuwa raja, a "língua dos reis", e trata de crônicas sobre um lendário rei, sri raja Singhaatman ("o que tem a alma do leão").

Erguem-se templos hindus em vários locais e florescem cidades-reinos, voltadas para o comércio marítimo, com forte influência hindu-javanesa. Surge assim o reino de Walmaheol, a sudoeste de Wisanu, de Tjanwadulan, ao norte de Nilau e Kaotamakuwa ("a cidade do povo forte"), no sul da ilha de Kiwangar. Estabelecem-se a cultura do arroz, a criação de gado e a coleta do sândalo e da noz-moscada, as principais riquezas nativas da região. O comércio é feito principalmente com o império marítimo de Majapahit, em Java.

O reino de Kaotamakuwa destaca-se como o principal reino da região. Uma época de opulência é vivida pela nobreza local. Surgem registros escritos sobre os feitos de grandes reis, como, Uwatsatria ("o que tem sangue nobre") e Buwanamatan ("os olhos do universo"). Nessa época, falava-se o makuwa (ou antigo kaupelan), uma língua bandanesa com empréstimos do javanês e do sânscrito. O makuwa tinha uma característica peculiar - a existência de uma forma clássica e literária, proibida aos que não fossem reis e nobres, e uma forma coloquial, utilizada pelo restante da população. Aos poucos, devido ao comércio entre os reinos, essa forma coloquial, empregada pelos mercadores makuwas, vai se difundindo como "lingua franca" pelas ilhas da região.

Um dos registros makuwas, do início do século XIII, relata a ocorrência de um terrível terremoto que teria destruído Wisnupuran ("o templo de Vishnu") a leste de Kaotamakuwa.

O comércio de especiarias se intensifica em fins do século XIV, com a chegada de mercadores malaios convertidos ao islamismo. A cultura vai incorporando novos elementos e a religião muçulmana vai fazendo adeptos entre mercadores e soldados.

 

Mapa do arquipélago no século XIII

 

Período dos Sultanatos séc. XV

Descontentes com o monopólio comercial exercido pela nobreza de Kaotamakuwa, mercadores muçulmanos da aldeia vizinha, Purikali ("o palácio do rio"), nas margens do rio Hubi, revoltam-se contra o rajá Dharatpahlawan ("o herói da Terra"). Kaotamakuwa é destruída, no início do século XV. Akeri torna-se o primeiro sultão de Purikali e herda o poderio comercial dos makuwas, que dominavam grande parte da ilha de Kiwangar, então denominada ilha de rajakaopalan ("moscadeiras do rajá").

O poderio bélico e comercial de Purikali leva ao expansionismo do então chamado Sultandaqèn Rajakaopalan ("Sultanato de Rajakaopalan"). Akeri é sucedido por seu filho, Guhamale ("a caverna sagrada"), que anexa os reinos de Bandajaya e Wisanu. A expansão do império atinge seu apogeu no final do século XV com o sucessor de Guhamale, o sultão Bumakirta ("a coroa gloriosa"), que derrota e conquista os reinos de Walmaheol e Tjandrapuran. O Sultanato de Rajakaopalan passa então a dominar todo o arquipélago.

Atraídos pelas especiarias, conhecidas na Europa através de mercadores vindos do Oriente, os portugueses chegam às ilhas em 1512, numa expedição marítima chefiada por Dom Antônio d'Abreu. Nos anos seguintes, em sucessivas expedições, estabelecem-se no arquipélago, criando entrepostos, missões e fortificações, com o intuito de controlar o lucrativo comércio de especiarias e passando a difundir, entre os nativos, a religião cristã. São estabelecidas ao longo do século XVI , as feitorias de Santa Maria (Santamaria), Santo Antônio (Sanantonyo), Vila Nova (Wilanowa), Santa Cruz (Santakèrus) e Lopes Gusmão no atual território de Kaupelan. Essa ocupação, porém, não foi pacífica, embora tenha havido algumas tentativas de negociação entre os europeus e o sultão Ismail, de Rajakaopalan, e seu sucessor Amin, ambos da dinastia Daqèjaya.

 

Período Colonial séc.XVI – séc. XIX

O declínio de Rajakaopalan começa com as constantes lutas contra os portugueses e culmina com a destruição de Purikali em 1532. O sultão Abdul Muhamad Kisakurak morre em seu kèratun ("palácio") defendendo a cidade contra o invasor. No lugar da cidade destruída, os colonizadores constroem as igrejas de São Gabriel do Hube, em 1557 e de São Lucas de Massar, em 1561. Em torno dessas igrejas, surgem vilas que darão origem às atuais cidades de Purikali e Masar.

Os nativos são submetidos a um regime escravocrata e opressor e a coroa portuguesa passa a dominar e explorar as tão faladas Índias Orientais. A cultura européia passa a ser assimilada pela população local. Os educadores lusos trazem a religião católica, ainda hoje majoritária no arquipélago, e a língua portuguesa que influenciou os idiomas locais. Por outro lado, muito da cultura tradicional dos kaupelaneses se perde nesse período.

Em meados do século XVII, novos colonizadores tiram o monopólio português das ilhas: os holandeses. No início, ocupam apenas algumas ilhas, como Nilau, em território de Kaupelan. Diferente dos portugueses, os holandeses aproveitam-se das rivalidades locais para conquistar novas terras. O lirai ("rei") de Bandajaya (no norte de Kiwangar), e os régulos de Jalabarat (no sudoeste de Wisanu) e Palimaata (sudeste de Nilau), inimigos dos portugueses e nativos cristianizados, aliam-se aos holandeses. O Daqe Islam Bandajaya ("reino islâmico de Bandajaya"), fortalecido por essa aliança e por um grande contingente de soldados malaios, entra em guerra com os cristãos. A resistência cristã não é suficiente para impedir a invasão muçulmana, vinda do norte. Em 1687, a partir da vila de Kuruwan, São Gabriel é reconquistada pelo lirai Ahmad bin Hasan Uninpèraing e volta a se chamar Purikali. Em comemoração, é construída uma grande mesquita, em Purikali, que volta a ser a capital do reino. O frei Joaquim Gonçalo é capturado e condenado à morte pelos muçulmanos, tonando-se um mártir dos cristãos.

Os lirais de Bandajaya governam a ilha, mas não repetem o período áureo vivido pelos makuwas. No início do século XVIII, o lirai Ismail bin Ibrahim Rajasena ergue um novo palácio, o Kèratun Weru. O português, aos poucos, deixa de ser usado em Purikali dando lugar ao kaupelan (língua e escrita oficiais) e o malaio, que se torna a língua veicular do comércio. Na ilha de Nilau, as terras de um poderoso fazendeiro holandês, um perkenier, chamado heer Niklaas Heitink, passam a ser conhecidas simplesmente como as terras de "heer Nik", de onde vem o nome da cidade de Irnik. Os portugueses perdem as terras da região para os holandeses que passam a dominá-las através da Companhia das Índias Orientais.

Em meados do século XVIII, com a queda do interesse comercial pelas especiarias, os holandeses mudam a estratégia e investem na produção agrícola. Os nativos cristianizados da região densamente povoada do sul de Kiwangar (chamados kautas) são mandados para trabalhos forçados nas lavouras de café e fumo em Irniek e Sanantonyo. Nessa época, o comércio marítimo experimenta um desenvolvimento maior, a partir do porto de Purikali, que passa a ser uma rota importante no comércio entre a Ásia e a Europa. Embora com domínio comercial sobre a região, os holandeses permitem que o poder político continue nas mão dos chefes locais, seus aliados.

Com as guerras napoleônicas, os ingleses tomam posse do arquipélago, no início do século XIX. Um forte é construído por sir William Hammond, próximo ao estreito de Libaru, onde atualmente fica a cidade de Rataanga. Os kautas, sempre rebeldes ao domínio holandês e muçulmano, vêm na presença inglesa uma aliança importante. Eclode uma rebelião de camponeses kautas em Kiwangar, Wisanu e Nilau que culmina com a deposição de Rasad bin Wahid Rajasena, em 1806. O ratu ("chefe") kauta Fernao Cuvahi é aclamado como o novo lirai das terras de Kaupelan, adotando o nome de Purajaya ("templo vitorioso"). Seu poder político vai desde as ilhas maiores, Kiwangar, Wisanu e Nilau, de maioria kauta, até o arquipélago de Terong, que havia sofrido forte influência cultural dos portugueses.

Em 1846 o vulcão Ra'u, da ilha de Narik, entra em erupção, dizimando centenas de nativos daquela ilha e deixando-a praticamente desabitada. Na segunda metade do século XIX, colonos vindos de Sutumai repovoam a ilha.

No final do século, os holandeses assinam um acordo com os britânicos, abrindo mão do território, em troca do reconhecimento do domínio da Holanda nas Índias Orientais (Indonésia).

 

Mapa do arquipélago no século XVII

(Cortesia do Museu Nacional, Purikali)

 

Período Britânico séc.XIX – séc. XX

Purikali, a maior cidade da região, então com cerca de cem mil habitantes, passa a ser a capital da colônia britânica. Os ingleses permitem que o poder político fique nas mão de líderes nativos, centralizados por um governor britânico. Tem início a dinastia Purajaya que perdura até os dias de hoje. Um grande contingente de chineses aflui para o arquipélago, notoriamente para Purikali. Voltados inicialmente para o comércio exterior, de produtos asiáticos e europeus, os chineses passam, aos poucos, a se dedicar também a atividades industriais, lançando as bases da futura indústria de Kaupelan. No início do século XX, aparecem as primeiras fábricas de charutos, tecido, cerâmica e pescado.

Purikali tem um rápido crescimento. São construídas escolas britânicas para os europeus residentes e para as famílias ricas locais, a maioria de origem chinesa. Bibèliya Lui ("A Bíblia Sagrada"), publicada em 1910, é o primeiro livro impresso na língua kaupelan, a partir da tradução feita pelo reverendo escocês Jeremy McLoy. Um programa de alfabetização em língua nativa é criado, em Purikali, pelo padre Aloísio Jalabasar. Em 1920, surge um movimento literário de cunho nacionalista, que busca inspiração nas raízes ancestrais. Seu maior expoente é o escritor James Akino, de Purikali.

Entre 1942 e 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, o arquipélago é ocupado pelo exército japonês. Ao se aproximar o final da guerra, os japoneses passam a apoiar movimentos separatistas, fornecendo armamento às milícias locais.

No pós-guerra eclodem rebeliões contra os colonizadores. Surge o grupo separatista Baha Muktihe Kaupelan ("Frente Kaupelenesa de Independência") que une ativistas de Kiwangar em torno do ideal de independência. Esse movimento se propaga para outras ilhas e tem por objetivo a deposição do governador, sir Francis Hamilton. Porém, tropas leais à Coroa Britânica sufocam o movimento e prendem seu líder, Kuwan Budiwata, em 1948. Budiwata é assassinado na prisão, o que provoca uma violenta reação popular.

Com o rápido desenvolvimento industrial de Purikali, há uma grande migração de trabalhadores rurais de Kiwangar e de outras ilhas para a cidade. A oferta de empregos e de condições de vida adequadas não acompanha o crescimento populacional e surgem conflitos, como o de 1951, entre trabalhadores rurais (tautanu) e os operários kautas. Paralelamente, a aristocracia de Purikali, na maioria de descendentes de chineses, defende a permanência sob domínio inglês.

Mas a situação é tão crítica que, em 1958, é concedida autonomia dentro da Comunidade Britânica. No entanto, os movimentos separatistas exigem independência total e prosseguem as atividades de guerrilha.

Decide-se, então, a partir de um plebiscito, pela independência. A 23 de junho de 1960, nasce o Liraidahen Kaupelan ("Reino de Kaupelan"). Wasahi Sunu Kira Wuru Kutak Purajaya, cristão, torna-se o primeiro lirai do novo país, com apoio de cristãos e muçulmanos. O poder político fica concentrado em suas mãos. A base política do governo é garantida pelo poderoso Parti Tana ("Partido Nacional"), partido da aristocracia kauta.

 

Período Independente séc. XX

Nos dez primeiros anos de independência, Kaupelan experimenta um rápido desenvolvimento econômico. A educação, na língua kaupelanesa, é priorizada, visando a erradicação do analfabetismo. A indústria de bens de consumo se desenvolve graças à política de incentivos fiscais que garantem a entrada maciça de capital americano, europeu e, posteriormente, japonês. Um grande número de estabelecimentos bancários é instalado no país. O petróleo, refinado em Palimaata, é a principal riqueza mineral exportada. A população salta de menos de 2 para 2,6 milhões de pessoas, enquanto a renda per capita passa de 400 para 1000 dólares anuais.

Nas relações exteriores, o lirai, pró-ocidente, apóia os EUA na guerra do Vietnã e na luta anti-comunista. Em troca, recebe ajuda militar, permitindo a criação de suas próprias forças armadas necessárias para garantir a soberania nacional, ameaçada pelos interesses expansionistas dos países vizinhos, de olho nas riquezas do arquipélago. Em 1970, o chanceler Jiwa Umaluih negocia junto às Auríndias e Santoí, a formação de uma aliança militar e a criação de um mercado comum. É assinado em Santana, Santoí, um acordo tri-nacional criando a WAINBA – Waisaite Nuhura Tasi Banda Lasahi ("União das Ilhas d’Este de Mar de Banda"), a 7 de maio de 1971.

Internamente, Wasahi governa de modo autoritário. Há denúncias de torturas a presos políticos e violações dos direitos humanos. Em 1972, é preso o senador Nuno Kautamakuwa, líder oposicionista, fundador do Parti Haima ("Partido Popular"). Em Nilau, o grupo marxista Wade Ira ("dragão vermelho") pratica atividades de guerrilha em oposição ao governo. A situação torna-se extremamente conturbada. Um atentado terrorista fere gravemente o lirai em 1974. Alegando defender o país das ameaças internas e externas, o general Taji Duwalahasin assume a chefia do governo e aplica lei marcial.

Com o reestabelecimento da tranquilidade política e o fim da guerrilha, é eleita uma assembléia constituinte que promulga, em 1977, a primeira constituição do país, instituindo uma monarquia parlamentarista e encerrando o período totalitário no arquipélago. Dentre outras medidas, a pena de morte é abolida. Duwalahasin deixa o cargo. Wasahi II, filho do antigo lirai, é coroado em 1978 como chefe do estado. No Haimauman ("parlamento") são eleitos 100 awayuni ("deputados") e o Parti Haima torna-se majoritário, sendo escolhido Nuno Kautamakuwa, representando uma coalizão de forças oposicionistas, inclusive de esquerda, como wasir ("primeiro-ministro") e forma o primeiro conselho de duwa ("ministros") democrático.

Na década de 80, despontam novas indústrias em Kaupelan. O setores eletroeletrônico e de mecânica de precisão têm uma grande evolução, graças ao capital japonês. Uma montadora de automóveis, a Watera, desponta em Purikali. Afluem, para a cidade, imigrantes das regiões pobres de Banda e da Indonésia. O metrô de Purikali começa ser construído. O turismo, sobretudo europeu e australiano, vai gradativamente ocupando uma posição de destaque na economia.

Aparece em Purikali uma organização criminosa denominada Fètoriya, formada principalmente por imigrantes bandaneses, que controla o tráfico de narcóticos produzidos no sudeste asiático e enviados para a Austrália e Estados Unidos através de Kaupelan. É criada, então, uma polícia especial, a Bandanese Police, cuja principal atividade é reprimir os fètor ("traficantes").

O Parti Haima perde a maioria no parlamento para um novo partido, o Parti Majuwe ("Partido do Desenvolvimento"). Com propostas liberais e de apoio a iniciativa privada, o Majuwe quer transformar o país num "tigre asiático". Em 84, é escolhido para primeiro-ministro Philip Kurumali, desse partido.

O parlamento rejeita a proposta do governo de Kurumali para privatizar várias empresas públicas, tais como a Kumpaniya Jalawasi Kiwangar (trens e metrô), a RTK - Radi na Telwijun Kaupèlan (rádio e TV), a PTT Kaupelan - Kumpaniya Pos na Telwon na Telgèrapi Kaupèlan (correios e telefonia), Kumpaniya Sakti Elektèrik Kaupèlan (energia elétrica) e a Kaupec - Kaupelanese Petroleum Corporation (prospecção e refino de petróleo). Ainda nesse governo, o ensino básico, público e gratuito, passa a ser ministrado em língua nativa para as minorias étnicas do país.

Em 90, ainda majoritário, o Partido do Desenvolvimento escolhe Silwi Aragao, como primira-ministra. Mas, no início da década, o país atravessa uma grande crise econômica. Queda nas exportações, recessão e desemprego. Começam a surgir protestos contra a concorrência de mão-de-obra vinda dos países bandaneses, e reinvindicações de medidas protecionistas. Liderada pelo Partido Nacional, a oposição começa a exigir maior autonomia em relação à União Bandanesa, e uma participação mais independente do país no mercado internacional, particularmente na Ásia e no Pacífico.

A insatisfação popular dá espaço para o aparecimento de grupos revolucionários. Entra em cena o movimento guerrilheiro islâmico Kisahe Aimarata Islam, atuando no norte de Kiwangar e Wisanu, que defende o fim da monarquia e a criação de uma república islâmica.

Em 1994, as eleições parlamentares confirmam essa insatisfação: o Partido Nacional torna-se novamente majoritário. Aragao renuncia. Em seu lugar, assume o muçulmano Abdul Tawadim.

A renda do país ultrapassa os 6000 dólares anuais. A economia, totalmente voltada para o comércio exterior, tem como principais parceiros o Japão e os EUA. A indústria de alta tecnologia se instala no país. Componentes, equipamentos eletrônicos e computadores pessoais são produzidos em grande escala. O governo dá incentivos à montadora Watera , evitando que uma multinacional torne-se sua acionista majoritária. É inaugurado o Aeroporto Internacional Nuno Kautamakuwa, em Masar, com capacidade para dez milhões de usuários por ano, como alternativa para o já saturado aeroporto Kuwan Budiwata, em Purikali.

Em 96, Tawadim é reconfirmado como primeiro-ministro. Politicamente, os "unionistas" vão perdendo terreno para os "independentistas". A Força Militar Bandanesa é desativada. A isenção de impostos de importação para produtos bandaneses é revogada. Há uma política de aproximação com os países do sudeste asiático.

Em 1997, Kaupelan sofre as consequências da crise econômica que afeta o Sudeste Asiático, com desemprego, inflação e desvalorização da moeda. A retomada do crescimento econômico acontece apenas em 1999.

Em 2002 o Parti Haima volta a se tornar majoritário. Samira Dahe é escolhida como primeira-ministra. No ano seguinte, o parlamento aprova a municipalização do transporte coletivo urbano (ônibus) em todo país, antes privatizado. No final do ano, ocorre uma explosão na famosa Jala Basar ("rua do mercado") onde morrem 33 pessoas, a maioria turistas estrangeiros. O atentado terrorista é atribuído a um grupo islâmico.

Em 2004, o Parlamento aprova uma redução de mandato do cargo de primeiro-ministro de 6 para 4 anos. Samira Dahe renuncia por motivos de saúde, no final do ano. O senador Peter Nguwa Puramèsar, presidente do Parlamento, assume o cargo.